A descoberta da caligrafia

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Qual seria o melhor post no meu primeiro WordPress? Nada mais massa do que falar sobre a minha experiência com a caligrafia e com o desenho e o quanto aos poucos transformaram a minha vida.

Bom de maneira simples tudo começou quando decidi cursar a disciplina de caligrafia no curso de Design pela UFPE-CAA, para falar a verdade começou mesmo quando observava o meu irmão mais velho praticando na parede do Bar da minha mãe, quando eu era criança, não era bem caligrafia o que ele fazia era mais uma espécie de Lettering, mesmo assim fazia parte de um danado de um curso que o meu irmão fazia em casa via correios chamado: Instituto Universal Brasileiro, ele já cursava o de desenho artístico e publicitário, então decidiu também fazer o de caligrafia. Desde então eu ficava curioso e observando tudo que o meu irmão fazia, desde a maneira como esfumaçava o papel com os dedos, na hora do curso de desenho, até a dedicação dele ao manejar o pincel na hora de “caligrafar“, alguns anos depois quando o meu irmão abandonou a carreira de artista eu fiquei com suas apostilas e alguns materiais. Comecei então a treinar, descompromissado, e aos poucos acabei desenvolvendo as minhas habilidades com o desenho.

No começo da minha adolescência encontrei outras apostilas, desta vez de caligrafia, havia o alfabeto gótico e um outro intitulado: Itálica, que só depois na Faculdade descobri que o nome certo era  Copperplate, mas que na apostila se chamava Itálica por conta da característica cursiva.

Enfim, prossegui treinando com caneta hidrográfica os alfabetos que eu via na apostila, na verdade eu desenhava as letras e utilizava para capas de trabalhos escolares em folha de papel pautado, era os meus primeiros passos no mundo da caligrafia. Anos depois na Universidade surge a disciplina caligrafia, desacreditado no começo por diversas vezes por ter sido algumas vezes desmotivado, eu pensava que a disciplina não seria útil, então não cursei de primeira, então eu pensei melhor eu percebi que não era apenas uma questão técnica, que a caligrafia aos poucos despertava o meu lado criativo assim como no desenho, mas com uma grande diferença a caligrafia era mais imediata e é na abstração da mesma que pude ter um contato direto com a alma e partir do momento que deparei com a gesticulação do corpo para expressar na linha significados e sentimentos foi aí que descobri que a caligrafia não era útil ela é essencial e graças a mesma eu me tornei mais criativo, me tornei mais confiante, me senti completo, era como se as linhas dos meus desenhos se entrelaçassem com as linha sinuosas da caligrafia e se tornassem uma coisa só. A partir de então não parei mais, continuei praticando, e aos poucos aperfeiçoando, e continuo e pretendo não parar nunca, assim como o desenho a caligrafia acabou se tornando o meio de comunicação da minha alma para o mundo externo.

É engraçado imaginar que a linha pode ser algo que põe limite, mas ao mesmo tempo pode servir de condução para a liberdade, no momento em que eu decidi levar a linha para o campo da experimentação fora do plano eu me deparei com outra surpresa: que era mais fácil e mais gostoso de trabalhar com a linha em outras superfícies, então por aí levei a caligrafia ao corpo e percebi que quando a pena e o pincel tocavam a pele viva era como se eles respondessem à respiração da pele e dali o encontro do ferro com o orgânico promovia texturas de tinta que emanavam graças e então foi amor à primeira caligrafada que me transportou a um caminho de descobertas incríveis, me fez entender que os bons resultados no campo da expressão gráfica se alcança justamente quando quebramos a barreira do branco do papel que tanto intimida.

O tempo vai passando e novas perspectivas através da caligrafia e do desenho vão surgindo, cada vez vou descobrindo mais e é o que me instiga e me fascina mais: Mergulhar no imprevisível que computador nenhum pode calcular, que só pode ser sentido por aquele que se deixa permitir errar e acima de tudo não ter medo de arriscar.

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